quinta-feira, 18 de março de 2021

Estudante autista é único piauiense finalista na Feira Brasileira de Ciências



O estudante Pedro Henrique Dias da Silva, aluno do Ceti Didácio Silva, da capital, foi o único estudante do Piauí finalista da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), com o artigo: Gameficação e o tema: “Peter Galáctic no Mundo da Matemática”.

Um dos objetivos da feira é estimular novas vocações em ciências e engenharia por meio do desenvolvimento de projetos criativos e inovadores. O trabalho de Pedro Henrique será apresentado desta quarta-feira (17) a 25 de março, em formato virtual, concorrendo a prêmios que vão desde medalhas a bolsas de iniciação científica.

“Desenvolvido nas aulas remotas de matemática, durante a pandemia, o projeto de gameficação foi um desafio que motivou os alunos a assistirem as aulas, uma vez que o isolamento aflora estados emocionais ansiosos e os professores e alunos estavam interagindo com as novas metodologias”, disse a professora Sidiane Alves Cardoso, orientadora do estudante.

A professora disse ainda que durante o período das aulas, o professor propôs aos alunos que desenvolvessem uma aula atrativa de geometria espacial. “Foi nela que Pedro Henrique desenvolveu uma animação com personagens feitos em cartum, desenhados no papel. Depois ele inseriu falas e movimentos corporais em um cenário gamer, construindo, assim, uma metodologia ativa da educação chamada gameficação”, pontua Sidiane Alves.

Aluno do segundo ano do ensino médio do Didácio Silva, Pedro Henrique é filho de mãe vendedora e pai motorista e possui o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Por conta disso, tem um déficit na comunicação social, não fala muito e, segundo a diretora da escola, Tetê Castro, ele tem dificuldade de socialização. “Apesar desse déficit, Pedro gosta e entende muito de tecnologia, e a robótica é justamente para trabalhar a socialização, pois os projetos realizados aqui na escola foram feitos em grupo, e assim exigiu dele um pouco mais de atenção”, disse a gestora.

O trabalho foi coorientado pelo professor Jackson Macêdo dos Santos, com a ideia de assimilar os conceitos de geometria e suas propriedades por meio da gameficação, como ferramenta de ensino-aprendizagem a partir de situações-problemas propostas pelo professor, que foi o responsável pela construção de conhecimentos matemáticos, na modalidade ensino remoto, durante a pandemia da Covid-19.

De acordo com o artigo, as metodologias ativas foram incorporadas aos processos interativos de conhecimento, análise, estudos, pesquisas e decisões individuais ou coletivas, com a finalidade de encontrar soluções para um problema.

O processo educacional foi de fundamental importância para auxiliar o processo do ensino da matemática. A partir daí, o professor Jackson Macêdo lançou o desafio em sala de aula para que utilizasse em seu conteúdo de geometria uma metodologia ativa de aprendizagem e o apresentasse em uma sala de aula virtual.

Depois, a professora orientadora da Sala de Recursos Multifuncionais e Informática, Sidiane Alves Cardoso, adaptou os recursos tecnológicos como aplicativos androide, já que a sala da escola possui ferramentas adaptadas para alunos autistas. O trabalho foi apresentado como uma gameficação utilizando animação, avatar e personagens digitais com vozes específicas, movimento corporal, dando vida aos desenhos feitos inicialmente em croquis a lápis e papel. O vídeo do estudante foi apresentado em uma aula remota e como ficou muito bom, a professora de robótica sugeriu que ao mesmo fosse inscrito na Febrace, de onde conseguiu ser finalista.

Febrace
A Feira Brasileira de Ciências e Engenharia é um movimento nacional de estímulo ao jovem cientista, que todo ano realiza na Universidade de São Paulo (USP) uma grande mostra de projetos.

A Febrace assume um importante papel social incentivando a criatividade e a reflexão em estudantes da educação básica, por meio do desenvolvimento de projetos com fundamento científico, nas diferentes áreas das ciências e engenharia.

Agora3 | Edição: Jornal da Parnaíba